Mãos Que Cantam

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PREFÁCIO


“Mãos que cantam” nasceu da ideia de que os surdos não devem ser vistos como deficientes mas como seres plenos com uma modalidade de expressão biologicamente diferenciada das pessoas que ouvem. No início deste projeto, os surdos coralistas e o seu maestro encantaram a UCP com a sua música nas mãos e pelas mãos e mostraram-nos a todos que a música vai para além do som e que a conseguimos apreender de forma visual.

O coro serviu como plataforma de integração dos alunos surdos na universidade mas foi muito para além disso e este projeto apoiado pelo Partis (Fundação Calouste Gulbenkian) é prova da vida própria que as “mãos que cantam” ganhou.

Ana Mineiro (PhD)
Prof. Associada no Instituto de Ciências da Saúde
Universidade Católica Portuguesa


1.“MÃOS QUE CANTAM”: O PROJETO


O projeto “Mãos que Cantam”, iniciado em 2010, criou um coro de surdos com os alunos da Licenciatura e Mestrado em Língua Gestual Portuguesa do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica, que começou por atuar em conjunto com o Coro da Universidade.

Este projeto pretende demonstrar, no âmbito da responsabilidade social, que as pessoas menos capacitadas auditivamente podem fazer parte de um coro. A Língua Gestual Portuguesa, igualmente rica e complementar à linguagem musical, potencia a expressão dos sentimentos mais profundos, tornando, assim, cada concerto um espetáculo único. Este projeto é pioneiro, a nível mundial, na integração de ouvintes e não ouvintes, simultaneamente, num coro.

O reportório do coro inclui peças como «Imagine» de John Lennon e «Eu Sei» de Sara Tavares, que já foram apresentados aos mais diversos públicos (dentro e fora da vida académica). É ainda de destacar a interpretação do fado «Com que Voz» de Amália Rodrigues, sendo a primeira vez que um fado, património imaterial da Humanidade e característica intrínseca da identidade portuguesa, é traduzido para Língua Gestual Portuguesa. Para além destes temas, outro sautores foram já trabalhados, por ex: Jorge Palma, Pedro Abrunhosa, We Trust, Manuel Rebelo, Trovante, entre outros.

A disseminação deste projeto entre a comunidade de ouvintes e não ouvintes tem um impacto profundo do ponto de vista cultural e, sobretudo, pedagógico.

1.1 OBJETIVOS DO PROJETO

O desafio de criar um coro com os alunos surdos que pudessem interpretar a música não com a voz, mas utilizando a Língua Gestual Portuguesa foi lançado pela Professora Doutora Ana Mineiro, coordenadora do Mestrado em Língua Gestual Portuguesa e Educação de Surdos (Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica de Lisboa.). O maestro Sérgio Peixoto, diretor artístico do coro da Universidade Católica, abraçou de imediato esta ideia e juntos iniciaram um projeto, cujo principal objetivo era a integração dos alunos surdos na comunidade universitária, através da música.

Pelo seu carácter inovador e inclusivo, este projeto suscitou o inte-resse dos meios de comunicação social e, através do apoio da Universidade Católica, foi possível dá-lo a conhecer ao grande público.

A Língua Gestual Portuguesa não tem alguns termos e conceitos musicais, uma vez que se assumiu que os mesmos não fariam sentido no universo de não ouvintes. Um dos objetivos orientadores deste projeto é, por isso, demonstrar que é possível expressar em Língua Gestual Portuguesa determinados conceitos musicais, como a noção de intensidade, de polifonia, métrica e a estrutura formal de uma peça musical, para além da interpretação do poema em si.
Para além deste objetivo, é igualmente importante:

  • Demonstrar que a surdez não é um impedimento para a expressão musical.
  • Integrar os alunos da licenciatura/mestrado na vida académica em geral.
  • Promover a igualdade de oportunidades para as práticas artísticas, nomeadamente a expressão musical.
  • Promover o diálogo entre artistas ouvintes e não ouvintes, através da música.
  • Reforçar a coesão social dos deficientes auditivos, a nível local e nacional.
1.2 O CORO “MÃOS QUE CANTAM”

Os coralistas que atualmente compõem o coro “Mãos que Cantam” são/foram alunos da licenciatura e do Mestrado em Língua Gestual Portuguesa do Instituto de Ciências da Saúde. A maioria são professores do Ensino Básico e Secundário para alunos surdos e estão a preparar-se, em termos de formação académica, para serem eles próprios professores de outros alunos surdos, multiplicando a ideia que as únicas barreiras que existem na vida são aquelas que construímos dentro da nossa cabeça.

O seu envolvimento no processo criativo é determinante e intenso, uma vez que o léxico necessário para a expressão artística na área da música é escasso. Os ensaios desenrolam-se ao longo de várias horas, dado que todos os gestos são criados e interpretados de raiz, pelos próprios coralistas, em colaboração com a intérprete de Língua Gestual Portuguesa e o maestro.

Quer para o maestro, quer para a intérprete, o desafio é imenso. O esforço de comunicação é quase tão grande como a satisfação de participar num projeto único. Para o coro de ouvintes é o acreditar no impossível e a oportunidade de trabalhar a música, utilizando diferentes formas de expressão. O respeito pela diferença ganha contornos concretos em cada concerto.

A experiência de trabalho e de inclusão permanente, de trocas entre vários mundos aparentemente separados tem suscitado uma intensa gratificação em todos os intervenientes: o aumento da autoestima dos coralistas surdos, a perceção e integração da diferença nos coralistas ouvintes, a experimentação artística por via da participação no espetáculo e a própria perspetiva multidisciplinar do projeto. Integra uma componente artística, mas também educacional e de bem-estar social.

1.2.1 A equipa
Sérgio Peixoto
Diretor artístico

Iniciou a sua formação musical aos 5 anos de idade na Academia dos Amadores de Musica e aos 8 anos como coralista e solista, tendo mais tarde ingressado no Instituto Gregoriano de Lisboa. É licenciado pela Universidade Nova de Lisboa no curso de Ciências Musicais.

Foi membro do Grupo Vocal Olisipo de 1994 a 1998, com o qual participou em festivais internacionais para grupos vocais na Alemanha e Bélgica e em concursos internacionais na Bulgária, Finlândia e Itália, conseguindo em todos eles o 1º lugar na categoria de Coros de Câmara. Com o Grupo Vocal Olisipo grava dois discos de música polifónica portuguesa e participa em cursos com o prestigiado grupo vocal Inglês The King’s Singers. Ainda como membro do Grupo Vocal Olísipo participa na Convenção Anual da Association British Choral Directors em Inglaterra (1997) e é convidado a realizar uma série de Masterclasses no Canadá (Newfoundland e Labrador) integrados no “Festival 500 ”(2000) para grupos corais e de câmara.

Foi membro efetivo do Coro Gulbenkian de 1998 a 2012, onde interpretou as grandes obras do repertório sinfónico e de câmara em concertos na Europa, Ásia e América, bem como a realização de gravações discográficas.

É também membro do grupo Tetvocal (1999) com o qual tem realizado numerosos concertos pelo país, Brasil (2000 e 2002) e Tailândia (2002 e 2003 a convite da casa real tailandesa). Com o Tetvocal grava em 2003 “ Um tributo a Sua Majestade o Rei da Tailândia” e em 2004 o “ Lado A”, um disco que homenageia a música ligeira portuguesa dos últimos 20 anos.

Em 2001 funda com Filipe Faria o Sete lágrimas consort especializando-se na área da música antiga europeia, tendo participado nos mais importantes festivais de música na Europa e Ásia. É com este grupo que grava pela editora Murecords em 2007,o álbum “lachrimae #1”(2007), “Kleine musik” (2008), “Diáspora.pt” (2008), “Silêncio” (2009), “Pedra Irregular”(2010) e “Vento” (2010), “Terra” (2011), “En tus brazos una noche” (2011), “Península” (2012) e “Cantiga” (2014).

É director artístico de diversos agrupamentos corais, destacando-se o Grupo Coral “O Tempo Canta” (IPMA 2003), Coro da Universidade Católica Portuguesa (2008), Coro Magis (2010).

Tem desenvolvido com alunos surdos da Universidade Católica Portuguesa, um projeto musical único na Europa: “Projeto Mãos que Cantam”, um coro composto por pessoas surdas, que utilizam a Língua Gestual Portuguesa e a Música como forma de expressão artística. Este é um projeto único em Portugal e é apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian (Programa PARTIS) e BPI Capacitar.

1.3 A componente artística

Do ponto de vista artístico, o aspeto inovador deste projeto recaí na criação de uma nova forma de comunicação gestual, que se aplica à interpretação musical, e no desenvolvimento de um sentido estético entre o gesto e a música que se lhe associa.
Desta forma, propõe-se novas formas de musicalidade e comprova-se a universalidade da expressão musical.
Este projeto, financiado pelo Programa Partis da Fundação Calouste Gulbenkian, é coordenado pelo Maestro Sérgio Peixoto, através da Histórias para Pensar – Associação.



2. APOIOS E PARCERIAS


FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN – Programa Partis: integração social através das práticas artísticas | Instituição Financiadora

O PARTIS é um programa que permite tornar realidade a nossa convicção de que a arte é motor de inclusão e mudança social, pelo seu poder único de unir as pessoas.

Foi desenhado para apoiar projetos que utilizem as práticas artísticas – música, fotografia, vídeo, teatro, dança e circo – como ferramentas que criem pontes entre comunidades que habitualmente não se cruzam.

De entre mais de 200 candidaturas, foram selecionados 17 projetos de norte a sul de Portugal, representando um investimento de cerca de um milhão de euros por um período de 3 anos.

Durante o seu primeiro ano de vida, o PARTIS dinamizou aproximadamente 4250 atividades, organizado 117 eventos públicos e chegado a cerca de 2700 participantes.

Durante o ano de 2014, 17 histórias de humanidade nasce-ram de projetos artísticos que envolvem grupos vulneráveis, tais como, entre outros, os 200 jovens institucionalizados que têm oportunidade de se expressar e libertar através da fotografia, os 15 refugiados de diferentes origens que contracenam no mesmo palco, os 50 reclusos que estão a produzir e a interpretar uma ópera ou os 10 sem-abrigo que colaboraram na produção de um grande festival de Lisboa.

PARTIS – Apoio a projetos sociais destinados à integração social através das práticas artísticas
Avenida de Berna, 45 A
1067-001 Lisboa

+351 217 823 547

Página do Programa Partis

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HISTÓRIAS PARA PENSAR ASSOCIAÇÃO – culture and society | Instituição Promotora

“From being about something to being for somebody”
Stephen Weil

A Histórias para Pensar – Associação (HPP) foi criada em Maio de 2009 por um grupo de profissionais ligados aos museus, às artes e ao ensino. É uma associação sem fins lucrativos que tem como principais objetivos:

  • Contribuir para a aprendizagem ao longo da vida de públicos de todas as idades.
  • Produzir projetos culturais, educativos e criativos, destinados a todos os tipos de públicos.
  • Produzir, promover e divulgar boas práticas de aprendizagem formal, não formal e informal.
  • Produzir, promover e divulgar ações de formação, workshops e oficinas de aprendizagem certificada, informal e não formal.
  • Produzir, promover e divulgar práticas de mediação cultural, no seu sentido mais alargado.
  • Produzir e promover redes de parceria nacionais e internacionais de apoio à divulgação e comunicação de ações culturais, patrimoniais, arquitetónicas, artísticas, educativas e pedagógicas.

Ao longo dos seus cinco anos de atividades, a associação tem vindo a desenvolver vários projetos, sobretudo em parceria com a Mapa das Ideias, nas áreas da formação em Mediação Cultural. Em 2011, realizou a 3.ª edição do curso de formação “Mediadores Culturais”, que decorreu no Museu de Cerâmica de Sacavém, em Loures, e no Museu Romântico da Quinta da Macieirinha, no Porto.

Em dezembro de 2012, no âmbito da Trienal Movimento Desenha, apresentou o projeto “BD ao Forte”, que incluiu uma exposição de ilustração, assim como a dinamização de workshops de desenho no Museu dos Combatentes, em Lisboa.

Em fevereiro de 2012, no âmbito do programa PROALV para Parcerias de Aprendizagem ao Longo da Vida, que foi aprovada. O projeto “CETAID – Community Exhibitions as Tools for Adult Development”, que envolveu, para além de Portugal, quatro outros parceiros europeus na Hungria, em Itália, e duas instituições no Reino Unido, tinham como objetivo identificar e promover boas práticas de inclusão/curadoria/participação das comunidades locais nas exposições organizadas pelos museus em cada região (entre 1 de agosto 2012 até 31 julho de 2014).

No decurso deste projeto, a HPP teve a oportunidade de conhecer e aprender com diversos agentes culturais e artísticos portugueses e estrangeiros. Em Portugal, trabalharam com o Museu do Trajo de S. Brás de Alportel – onde, através de uma intensa relação com a comunidade local, o museu é transformado num local de identidades, de trocas e partilhas, num espaço de verdadeira inclusão social – e com o Museu Michael Giacommeti, em Setúbal – que tem realizado um trabalho notável de recolha de histórias de vida com os seniores da região.

Em outubro de 2012, promoveu em parceria com o Museu Nacional de Arqueologia, um encontro para filósofos americanos do Center for Philosophy of Religion, Indiana, USA, sobre o Terramoto de Lisboa de 1755. Durante este evento, realizou-se uma apresentação histórica dos acontecimentos e um percurso desenhado pelas ruas da capital, com o objetivo de visitar os vestígios arquitetónicos do terramoto e os consequentes marcos da reconstrução da cidade.

Já em 2010, a HPP criou o projeto “Mãos que Cantam”: um coro de surdos composto pelos alunos da licenciatura e mestrado em Língua Gestual Portuguesa do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica. Este projeto de inclusão social através da arte (a música) foi financiado pelo Programa Partis da Fundação Calouste Gulbenkian.

Na HPP, acredita-se que o conhecimento gera afetos. Acredita-se em melhores veículos de comunicação cultural, social, de educação artística. Acredita-se na diversidade e na diferença. Acredita-se em histórias.

Histórias para Pensar – Associação
Rua Prof. Egas Moniz, 9 – 2.º Esq
2780-101 Oeiras

+351 214 262 650

+351 963 983 859

Página da Associação

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AFAS – Associação de famílias e amigos dos surdos | Apoio Institucional

A AFAS – Associação de Famílias e Amigos dos Surdos foi fundada a 22 de julho de 1997, hoje com 19 anos de iniciativas e atividades focadas no apoio às famílias, aos Surdos e aos amigos, na divulgação da Língua Gestual Portuguesa, da Cultura Surda e da Comunidade Surda. A AFAS tem realizado e participado em conferências e encontros nacionais e internacionais, colaborando em grupos de trabalho de carácter político-social. A AFAS tem lutado por contextos familiares e sociais bilingues que favoreçam o desenvolvimento emocional e cognitivo, proporcionando aos Surdos sucesso académico, profissional e social, bem como o acesso a uma plena educação bilingue. Promovemos também a edição e tradução de obras de referência, designadamente “O Grito da Gaivota”, recomendada no Plano Nacional de Leitura. Fomentamos a valorização dos Surdos, nomeadamente a nível artístico, com iniciativas culturais em que são protagonistas, ou em colaboração com projetos que se pautem pelos mesmos valores, como o coro Mãos Que Cantam.

AFAS – Associação de Famílias e Amigos dos Surdos
Rua C ao Bairro da Liberdade, Lote 12 – Lj 18
1070-023 Lisboa

+351 213 879 303

Página da Associação

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UNIVERSIDADE CATÓLICA – Mestrado em Língua Gestual Portuguesa | Instituição Parceira

A Universidade Católica Portuguesa nasceu em 1967 e constitui uma comunidade académica que contribui para a defesa e o desenvolvimento da pessoa humana e do seu património cultural mediante a investigação, o ensino e os serviços prestados, bem como uma presença no mundo universitário português que se carateriza por uma visão cristã do homem, dando um contributo específico ao conjunto dos conhecimentos.

O ensino na Universidade Católica Portuguesa – que, em 45 anos de existência, concedeu graus a mais de 20.000 alunos – procura aliar excelência académica e formação para os valores.

A sua estrutura é regional. Embora a Universidade seja uma só, compõem-na quatro grandes centros: Beiras, Braga, Lisboa (sede) e Porto.

É a primeira universidade portuguesa moderna que não foi instituída pelo Estado, mas sim pela Igreja católica, ao abrigo da Concordata de 1940 entre o Governo português e a Santa Sé. Desde então tem dado um contributo significativo para o desenvolvimento do ensino superior em Portugal. É reconhecida pelo Estado como instituição universitária livre, autónoma e de utilidade pública.

O Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa (www.ics.lisboa.ucp.pt), criado em 20 de Janeiro de 2004, tem a finalidade de coordenar as áreas do Saber que incorporam as questões da Biomedicina e da Saúde.

Disponibiliza a Licenciatura em Língua Gestual Portuguesa, um curso inteiramente adaptado para surdos profundos que, através de métodos que envolvem b-learning e sessões presenciais, realizam a sua formação académica de nível superior e obtêm competências que se traduzem num fator altamente diferenciador na sua inserção no mercado de trabalho. Em 35.000 surdos portugueses, somente cerca de 15 têm formação superior. Os alunos da 1ª turma da Licenciatura em Língua Gestual Portuguesa integram o coro da Universidade Católica Portuguesa.

Este Instituto disponibiliza também o Mestrado em Língua Gestual Portuguesa e Educação de Surdos, único em Portugal, que oferece formação especializada e de grande qualidade na área da educação de surdos. Tem três ramos de especialização: Educação de Surdos; Tradução e Interpretação (educação, saúde e ciências jurídicas); Investigação.

Universidade Católica Portuguesa
Edifício da Biblioteca João Paulo II – 5ºpiso
Palma de Cima
1649-023 Lisboa

+351 217 214 147

+351 217 225 075

Página da Universidade

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FUNDAÇÃO D. MANUEL II | Instituição Parceira

A Fundação Dom Manuel II foi criada em 1968 pela Senhora Dona Augusta Victória, viúva de Sua Majestade, o Rei Dom Manuel II. Os seus objetivos iniciais pautavam-se pelo apoio a obras caritativas, em homenagem de Sua Majestade, o Rei Dom Manuel II.

Constitui uma instituição particular, sem fins lucrativos, de assistência social, educacional e cultural, com ações no território português, nos países lusófonos, e nas comunidades portuguesas em todo o mundo. Desde 2007, foi-lhe reconhecido o estatuto de ONGD.

Durante os seus anos de exílio, o Rei Dom Manuel II manifestou sempre um peculiar interesse pelo estudo e preservação da cultura portuguesa e participou empenhadamente no apoio aos soldados portugueses enviados a combater na 1ª Guerra Mundial.

Em 1983, S.A.R., o Duque de Bragança foi nomeado Presidente da Fundação Dom Manuel II que, desde então, alargou o seu âmbito de atuação, dedicando-se, sobretudo, à preservação dos laços culturais entre Portugal e os países lusófonos.

As primeiras iniciativas foram desenvolvidas pelo Instituto Dom Manuel II, que ministrou diversos cursos de formação profissional e desenvolveu projetos de investigação científica na Guiné-Bissau. Mais tarde, multiplicaram-se as iniciativas em Timor Leste, Cabo Verde, Angola, Guiné, Moçambique, Índia (de expressão portuguesa), bem como nas comunidades portuguesas emigradas no estrangeiro. Em breve, espera poder contribuir, de um modo mais significativo, para a difusão da Língua Portuguesa no âmbito da CPLP, assim como noutros sectores de grande interesse para os seus países membros.

Esta instituição estabelece protocolos de cooperação com várias instituições portuguesas e estrangeiras, tendo sempre em vista a promoção do desenvolvimento humano, material e espiritual.

A Fundação Dom Manuel II segue uma política de autossustentabilidade – não aufere nenhum apoio financeiro do Estado – envolvendo nas suas atividades parceiros da sociedade civil.

+351 213 423 705

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MAPA DAS IDEIAS | Instituição Parceira

A Mapa das Ideias é uma empresa privada dedicada às relações entre Museus, públicos e comunidades desde 1999.

Os Museus – como instituições culturais e socialmente relevantes – têm um enorme potencial na relação com os seus públicos. São únicos na forma como juntam conhecimento, estética e fruição, colecionando objetos e ideias. Tal como noutros campos do saber, o seu valor reside no poder de comunicar com os seus públicos.

Comunicar tem que se um ato voluntário, construído com uma estratégia clara do Museu e da sua tutela. Pôr em comum (“comunicare”) implica o conhecimento profundo dos seus públicos, das pessoas e das tecnologias envolvidas. Este processo deve ser planeado a vários tempos, com uma análise cuidada de todos os recursos envolvidos e a definição dos objetivos a alcançar.
A Mapa das Ideias é especialista em comunicação e mediação e na criação de relações relevantes através de pessoas,
tecnologias e criatividade. Trabalha em grande proximidade com o seu cliente ou parceiro, analisando as necessidades e as expectativas dos seus públicos. Cada projeto é exclusivo, porque cada problema, cada cliente são únicos.

Possui uma estrutura leve, simultaneamente multidisciplinar e especializada, focada na investigação, conteúdos e criatividade. Trabalha com uma rede de parceiros – freelancers, empresas e associações -, em áreas muito diferentes como o design, produção multimédia, animação e ilustração, web, robótica, serigrafia, marcenaria. A proximidade e a investigação permitem sinergias inovadoras quer em produtos, quer em processos.

Antes da tecnologia estão as pessoas e as ideias. Por isso, a Mapa das Ideias trabalha com madeira, argila e papel. Mas também com Web, aplicações móveis, animação 3D e jogos. Em qualquer um destes projetos a tecnologia é uma ferramenta, sendo útil como um meio e nunca como um fim em si mesmo.

Para a gestão da tecnologia, o projeto deve ter em consideração os objetivos de comunicação, as características dos públicos-alvo, os recursos existentes e, também, os níveis de saturação e interação dos mesmos – quer se trate de uma exposição, de um website, de um filme de animação ou de uma maleta pedagógica.

A criatividade é uma ferramenta de gestão, sustentada por formação e investigação constantes. Todavia, é também a forma como a Mapa encara os seus projetos, em que criatividade enquadra o processo de conhecimento e torna o visitante participante e criador da sua própria experiência, quer no Museu, quer na sociedade.

A formação e a investigação constituem dimensões essenciais de trabalho. Para além do excelente centro de documentação, existe um investimento constante na formação profissional e académica de toda a equipa. Neste âmbito, a Mapa das Ideias tem investido também na oferta de formação à comunidade. Em 2003, realizou o curso “Comunicar com Públicos no Museu” que – depois de uma avaliação e reformulação – deu origem, em 2008, ao curso de “Mediadores Culturais para Museus, Artes, Ciência e Património”. Este curso teve várias edições e é a espinha dorsal da oferta formativa.

Em 2012, através de uma Transferência de Inovação do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida, financiada pela União Europeia, Mapa das Ideias coordenou e implementou o projeto “Museum Mediators Europe”. O consórcio do projeto incluiu parceiros de Espanha, Itália, Estónia e Dinamarca e centrou-se na importância e criação de um curso de formação de mediação em museus para profissionais da área como forma de cumprir a missão destas instituições. O projeto decorreu até 2014 e foram realizadas cinco edições do curso-piloto (uma em cada país parceiro), resultando na publicação de um Manual, disponível gratuitamente no website do projeto (link).

Em 2011, o Serviço de Educação e Mediação do Museu
Nacional do Traje, em parceria com a Mapa das Ideias, foi distinguido com o Prémio APOM (Associação Portuguesa de Museologia) de Melhor Serviço Educativo e Extensão Cultural. Em 2012, o mesmo prémio foi atribuído ao Museu da Água da EPAL. A Mapa das Ideias assumiu neste museu a responsabilidade sobre a conceção e realização de todas as oficinas pedagógicas, dentro e fora de portas.

Tendo em conta a aprendizagem realizada, a Mapa das Ideias pretende continuar a investir em projetos europeus, no âmbito da formação, mas não só. Através da relação continuada com outros parceiros – museu, associações, empresas – a Mapa pretende manter-se na vanguarda da museologia e da educação, cruzando os limites institucionais dos museus, escolas e outras instituições culturais e sociais, transgredindo tabus, contradizendo preconceitos.

Avenida do Brasil, 165-A
2765-676 S. Marcos

+351 214 262 650

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3. COMO USAR ESTE MANUAL?


Este e-book é uma ferramenta pedagógica interativa e inclusiva que utiliza a Língua Gestual Portuguesa e a Música como forma de expressão artística.

Os objetivos são, por um lado, construir um manual de sinais gestuais ligados à música e à surdez, que possam ser transmitidos aos alunos e professores surdos nas instituições de ensino. Por outro, uma forma de integrar os surdos na sociedade e os ouvintes compreenderem que não existe uma limitação, mas sim uma superação, uma maneira diferente de sentir a música.

Desta forma, pretende-se que qualquer utilizador (professor ou educador), ouvinte ou não, possa utilizar este manual como um instrumento de comunicação para a expressão musical com pessoas com incapacidade auditiva.

O e-book encontra-se organizado em três partes distintas:

Primeira parte: Capítulo 1 – “Mãos que Cantam: o projeto” e Capítulo 2 – “Apoios e parcerias”

Descrição do projeto e dos seus principais intervenientes (o coro, o maestro), bem como de todas as instituições que o apoiam e que se envolveram no seu percurso e crescimento.

Segunda parte: Capítulo 3 – “Como usar este e-book?” e Capítulo 4 – “Como trabalhamos?”

Descrição estruturada e detalhada da metodologia (fases do processo criativo) desenvolvida no âmbito deste projeto, organizada passo-a-passo e ilustrada com exemplos (vídeos tutoriais).

Terceira parte: Capítulo 5 – “Em concerto” e Capítulo 6 – “Partilha de boas práticas”

Partilha de alguns concertos realizados no âmbito do projeto e de boas práticas a nível nacional, europeu e internacional na área das deficiências auditivas.

A prática artística constitui, cada vez mais, uma valiosa ferramenta de inclusão social nas suas múltiplas e diferentes facetas (realidades). Neste sentido, este e-book pretende também funcionar como um meio de divulgação do projeto “Mãos que Cantam” e de outros projetos igualmente inovadores na área da integração social.


4.
COMO TRABALHAMOS?


O trabalho desenvolvido no âmbito do projeto “Mãos que Cantam” obedece a uma metodologia específica, com fases definidas:
Fase 1 – Escolha do texto da música.
Fase 2 – Escolha preparatória do gesto.

2.1 A procura do gesto estético.
Fase 3 – A glosa.
Fase 4 – Pôr o processo em prática.

4.1 Lançamento e final da frase.
4.2 A introdução do suporte musical.
4.3 Adaptação dos gestos ao tempo da música.
4.4 Expressividade musical.
4.5 Polifonia gestual.
4.6 A descontração do grupo.

Cada uma destas fases envolve vários atores – o professor surdo de Língua Gestual Portuguesa (L.G.P.), o professor de Educação Musical, o intérprete de L.G.P e o grupo de alunos surdos e ouvintes (coro) –, com funções específicas, mas sempre interligadas, durante as diferentes fases do processo criativo.

4.1 METODOLOGIA
FASE 1 – ESCOLHA DO TEXTO DA MÚSICA

A escolha do texto da música que será interpretada pelo coro é feita pelo professor.

Pretende-se que seja inclusiva, isto é, uma música que possa ser trabalhada tanto com os alunos surdos como com os ouvintes. Logo, não poderá ser uma música instrumental e terá de conter texto (poema).

Depois, o texto é estudado com o objetivo de perceber o sentido de cada palavra ou frase, seguido da sua tradução para Língua Gestual Portuguesa poética/musical.

“O texto está feito para ouvintes e nós, os surdos, temos que perceber em que medida podemos ligar o nosso sentir enquanto surdos. Por vezes, existem frases cujo sentido tem muito que ver com ouvintes e com a cultura ouvinte; portanto, nós, surdos, quando lemos esse texto muitas vezes achamos que não tem que ver [com a realidade surda]. Então, é importante a escolha do texto.“Patrícia Carmo, coro “Mãos que Cantam”
FASE 2 – A escolha preparatória do gesto

Interiorização dos gestos e sua compreensão lógica no poema, com o apoio do professor surdo e do intérprete.

O texto é escolhido, é feita a sua tradução para Língua Gestual Portuguesa poética/musical e, de seguida, escolhem-se os gestos. Este é um trabalho conjunto entre o professor surdo de L.G.P. e o grupo de alunos surdos.

O professor de Educação Musical deverá acompanhar os gestos escolhidos e que estão a ser trabalhados, apre(e)nder o seu significado e associa-los a cada parte do texto. Este deverá possuir a compreensão do discurso gestual na estrutura do poema.

“Nós, quando lemos o texto, fazemos logo uma recolha dos gestos, uma correção do gesto. O que é que este gesto pode significar? O que é que significa culturalmente? Por exemplo, na Língua Gestual Portuguesa, nós falamos coloquialmente, não de uma forma artística. Tal como vocês têm a vossa língua e falam no dia-a-dia de uma forma coloquial, nós também gestualizamos de uma forma coloquial as línguas. Mas, quando passamos estes textos, que são poemas, para uma forma artística, temos que repensar e alterar esse gesto para uma forma artística. Daí a glosa ser um trabalho moroso, mas que tem de ser feito.”António Cabral, coro “Mãos que Cantam”
FASE 2 – A escolha preparatória do gesto
2.1. A procura do gesto estético

Tal como a voz falada é diferente da voz cantada, o mesmo acontece com o gesto.

Por isso, o objetivo é encontrar a primeira fluida estética do discurso com a utilização ampla dos gestos. Isto significa que se deverá preparar o aluno para descobrir o seu gesto de uma forma artística.

Este processo é feito com recurso a alguns exercícios, como, por exemplo, exercícios de respiração e exercícios de mímica, de forma a libertar o aluno e perceber o que significa o gesto estético.

Durante estes exercícios, o professor de Educação Musical deverá utilizar os gestos do poema.

Esta fase decorre ainda sem suporte musical, apenas com recurso ao texto (poema) e ao gesto.

“O gesto artístico é um gesto que – acho que também falta dizer isso – tem que ver com o ritmo, se é lento, se é rápido, e sua a escolha também tem que ver com isso. Por exemplo, tal como a Débora referiu em relação às frases em português, existe rima. Nós também temos a nossa, mas que é como nós falamos a Língua Gestual Portuguesa normalmente. Se estivermos a falar de música, nós temos que encontrar um gesto que seja alterável e que a configuração também se ligue ao gesto seguinte. Portanto, não pode ser um gesto pesado, tem que dar continuidade aos gestos que se seguem. Por exemplo, nós estamos a falar do sol e depois temos de encontrar uma outra forma de configuração, outro gesto que se ligue àquele que foi feito. Temos que alterar para uma configuração que não seja muito diferente, para que não haja essa mudança repentina.”Patrícia Carmo, coro “Mãos que Cantam”
“Quando se trata de um gesto estético, temos de procurar um gesto que seja bonito, não é um gesto que seja usual só por ser, porque não é artístico. Por exemplo, quando utilizamos vários gestos e depois achamos que um não fica bem, temos que procurar outro gesto e alterá-lo, um que se destaque e que seja realmente estético, que seja realmente bonito. É como quando nós escrevemos o português, nós e os ouvintes; os ouvintes também fazem igual: quando estão a escrever, por exemplo, um poema, mas depois acham que não fica bem naquela frase uma determinada palavra. Então tem de se procurar uma outra palavra que fique bem naquela frase. É a mesma coisa que nós fazemos com os gestos. Há gestos que não têm que ver, que não ficam bem, são gestos que são usados, sim, mas que não têm que ver; então temos que procurar outro gesto que realmente se destaque e que fique bem naquele poema.”Débora Carmo, coro “Mãos que Cantam”
FASE 3 – a glosa

A glosa consiste na transcrição da Língua Gestual Portuguesa para a escrita e deve obedecer sempre à ordem dos gestos que são feitos. É, por isso, diferente de fazer tradução de L.G.P. para português.

A glosa é desenvolvida pelo professor surdo de L.G.P, em conjunto com o grupo de alunos surdos.

CANÇÃO ORIGINAL
ADAPTAÇÃO*
Trazes luar abraçado a ti
Com tanta luz como nunca vi
Trazes segredos guardados que só tu e eu, soubemos guardar
Ate saber de cor, p’ra depois contar em pormenor.
Lua Abraça me
Luz “Dar-me” “Nunca viu”(dar)
Segredo nosso “guardado”(dentro)
Lembrar exprimir
Trazes um Sol pendurado ao peito
Que brilha em graça e ao teu próprio jeito.
Trazes calor tatuado em bronze côr de pele
Na tua expressão que em forma de canção
Me faz palpitar o coração.
Sol
Dar-me
Quente prazer
Canção Exprimir
Coração a bater (ao muro)
Ref:
Anda comigo abraçar o mar
Daquela praia que nos viu chegar
A este amor prometido no primeiro olhar
Que eu a ti lancei e onde comprovei
Que é contigo que eu quero ficar.
.
Mar Junto
Olhar Acompanhar
Olhamos (dois olhos) Amor promessa
Confirmar
Juntos querer

*Adaptação realizada a 28 de abril de 2015.
Música e letra: Manuel Rebelo
Glosa/adaptação: Projeto “Mãos que Cantam”

“Nós, os surdos, não nos centramos 100% no texto. Isto é, há coisas que fazemos literalmente, outras depende; são coisas mais visuais, coisas que têm a ver com o que nós temos cognitivamente e a forma como nós imaginamos as coisas é muito diferente dos ouvintes. É totalmente diferente.”Cláudia Veiga, coro “Mãos que Cantam”
FASE 4 – Pôr o processo em prática

Interiorização do tempo da música, mas ainda sem suporte musical. O professor de Educação Musical começa a introduzir alguns elementos musicais, tais como:

Indicação do compasso (dois por quatro, três por quatro, quatro por quatro, três por oito, etc.).
Tempo da música, através de gestos percetíveis.

O professor deverá também utilizar a respiração no início das frases musicais de uma forma expressiva, não só com indicação do compasso; ou seja, a respiração terá de acompanhar a indicação do compasso.

Neste processo, o professor terá de perceber o gesto e interpretar o tempo gestual no tempo da música. Isto significa que terá de interiorizar, para além do tempo da música, o tempo gestual com o objetivo de verificar se cabe nesse tempo da música.


“Nós, antes de mais, fazemos a alteração e adaptação para glosa. Discutimos e escolhemos o gesto de acordo com a arte, de uma forma artística; mas não fica desde logo terminado, porque falta ainda o maestro ajudar-nos no sentido musical. Através do
maestro, é que percebemos se aqueles gestos são possíveis ou não naquele ritmo. É como quando se está a escrever música, vai-se corrigindo: “Ah… isto não está bem”, corrige-se e volta-se a tocar e “ah… afinal, ainda não está bem”. É como nós. Estamos ali a cantar e, de repente, “hum… este gesto não fica bem”. Não fica desde logo terminado. Depois, temos que juntar tudo isso, ensaiar e, ao fim de ensaiar várias vezes, chega-se aos espetáculos. E é assim.
A música está aqui [aponta para a maestro]. Está presente através do maestro.”António Cabral, coro “Mãos que Cantam”
4.1. Lançamento e final da frase

O lançamento de cada frase é feito com a introdução do compasso e com a respiração e o seu final deverá acompanhar o gesto até ao fim da frase musical, finalizando o gesto (do professor) de forma percetível.

Ainda antes da introdução do suporte musical, pretende-se que exista um trabalho conjunto entre o professor de Educação Musical e os alunos surdos.

4.2. A introdução do suporte musical

Com a introdução do suporte musical, seja música gravada ou música ao vivo com os outros alunos ouvintes, introduz-se os alunos surdos na música em si.

O processo realiza-se da seguinte forma: é feito o lançamento das frases já com suporte musical, através da respiração, com gesto de compasso, com o gesto em Língua Gestual Portuguesa primário, da primeira palavra da frase ou com a introdução de gestos percetíveis aos alunos (trabalhados antes da introdução do suporte musical).

“Nós somos a letra e ele [o maestro] é a música.”António Cabral, coro “Mãos que Cantam”
4.3. Adaptação dos gestos ao tempo da música

Durante o processo de adaptação dos gestos ao tempo da música, poderá haver necessidade de um novo gesto introdutório, de uma nova respiração ou de uma marcação rítmica diferente durante a música.

4.4. Expressividade musical

A expressão facial e a amplitude dos gestos, não só do professor de Educação Musical, mas também do aluno, deve ser utilizada, pois relaciona-se com a expressividade musical da peça.

4.5. Polifonia gestual

Este fenómeno ocorre quando existe um solista surdo, com um grupo de alunos surdos, e em que existem várias frases musicais em simultâneo.

A mão predominante marca sempre o ritmo e lança a frase do solista, enquanto a outra mão sugere o lançamento da frase do restante grupo e o seu suporte durante a frase musical; ou seja, tanto a mão esquerda como a direita têm que trabalhar em conjunto com diferentes grupos e têm que suportar os gestos no final de cada frase para orientação dos coralistas.

Os finais das frases devem sempre ser bem apoiados pelo gesto do professor, tendo em conta o tempo rítmico da música.


4.6. A descontração do grupo

A descontração do coro de surdos só acontece no final sonoro da peça, pois a frase musical pode acabar, mas ainda há música a decorrer. Neste sentido, é muito importante ter os finais das frases bem apoiados.



4.2 TRÊS FIGURAS ESSENCIAIS:
o papel do professor surdo de Língua Gestual Portuguesa, do
intérprete de Língua Gestual Portuguesa e do professor de
Educação Musical

O mundo que nos rodeia é, maioritariamente, ouvinte. Tudo é construído por ouvintes e a pensar nos ouvintes. Todavia, o mundo é um aglomerado de muitos outros mundos, tais como o mundo dos surdos e o mundo dos ouvintes. Tanto num como no outro, a comunicação existe. Seja através da poesia, da pintura, da dança ou da música.

No que concerne especificamente à música, esta é uma arte atribuída aos ouvintes. Para eles, significa o som do piano, do violino, da voz. Para os surdos, significa o movimento, o ritmo, as vibrações.

Há música nas mãos, há música no corpo.

“Nas nossas mãos e corpo, sentimos as árvores embaladas pelo vento, as folhas a rodopiarem quando caem, as ondas do mar, o pôr-do-sol… E o ritmo também lá está. Na força com que o vento embala a árvore, na quantidade e na altura das ondas, no rodopio das folhas e na lentidão do pôr-do-sol.”Patrícia Carmo, coro “Mãos que Cantam”
Professor Surdo de Língua Gestual Portuguesa

A presença de um professor surdo de Língua Gestual Portuguesa é essencial tanto numa sala de aula, como numa aula de música com alunos surdos, é essencial.

Para estes alunos, o professor surdo é considerado um modelo, pois vêem nele aquilo que gostariam de ser no futuro. Há um sentimento de identificação.

Com o professor surdo, têm a oportunidade de aprender:

  • A lutar pelos seus direitos, enquanto cidadãos, e a orgulharem-se de serem Seres Humanos Surdos pertencente à sociedade.
  • A preservar e a dar valor à História, à Educação, à Língua e à Cultura da Comunidade Surda.
  • A orgulhar-se de serem bilíngues (Língua Gestual Portuguesa e Português escrito).
  • A contar histórias e Histórias, contos, fábulas, anedotas, poemas e canções.
  • A exprimir o que sentem ou o que pensam, através de diferentes formas e utilizando diferentes recursos.
  • A cantar e a gostar de cantar, utilizando a Língua Gestual Portuguesa.

É portanto, muito importante que os alunos surdos tenham contacto com um professor surdo. Partilham o mesmo mundo, os mesmos sentimentos e visão. Neste sentido, o professor surdo transmite/ensina, com maior facilidade (e propriedade), ao aluno surdo o sentimento da música das mãos, que permite depois construí-la, vivenciá-la e talvez, assim, construir um único mundo.

“Eu não me esqueço quando fomos à Escola Quinta de Marrocos, no Agrupamento, e atuámos com eles. Inicialmente, algumas pessoas ouvintes começaram a gestualizar e os alunos não ligaram a nada do que eles estavam a fazer da música. Os alunos estavam ali a pensar: “não queremos saber o que é que aqueles ouvintes estão a gestualizar em Língua Gestual Portuguesa”. Mas quando nós chegámos, mudou tudo completamente: muito interessados em nós, muito obedientes, muito concentrados na música que estávamos a cantar em Língua Gestual Portuguesa. No final, fizeram uma atuação em que todas as pessoas que estiveram a assistir deram os parabéns. Lá está, por nós sermos surdos e por nós chegarmos até eles, por sermos modelo para os outros surdos.”António Cabral, coro "Mãos que Cantam"
Intérprete de Língua Gestual Portuguesa

O Intérprete de Língua Gestual Portuguesa (L.G.P.) desenvolve a sua atividade profissional de facilitador linguístico e cultural, interpretando/traduzindo a informação em Língua Gestual Portuguesa e em Português. É um elemento fundamental nas escolas, para a plena participação e acesso à informação e à comunicação por parte dos alunos, professores e técnicos, surdos e ouvintes, em diversas áreas e em diferentes contextos, desde a sala de aula, a visitas de estudo, e em reuniões. Este profissional não é um professor e não leciona conteúdos, interpreta e traduz, tendo funções de tradutor, estando presente quando os restantes profissionais envolvidos não são proficientes em L.G.P..

Nas aulas e nas atividades de música, se os intervenientes não dominarem a L.G.P., o intérprete interpreta/traduz conteúdos e indicações quer na L.G.P., quer em Português, entre o professor de música ouvinte, o professor surdo de L.G.P., os alunos surdos, os alunos ouvintes e outros participantes.

Quando não se encontra presente um professor surdo de L.G.P., modelo linguístico, cultural e identitário, deve ser assegurado que o intérprete de L.G.P., com proficiência linguística, seja plenamente conhecedor dos parâmetros visuais da L.G.P. e de equivalentes fonológicos no Português e também da comunidade surda e da diferença identitária dos surdos, colaborando nestes aspetos com o professor de Educação Musical ouvinte.

“O Sérgio [maestro] sabe Língua Gestual Portuguesa e aprende muito rápido. No entanto, nós, as nossas mãos, a nossa voz é ela [a intérprete de Língua Gestual Portuguesa Sofia Figueiredo]; por exemplo, se ela não estivesse aqui, nós falaríamos, mas se calhar sentiríamos que faltava sempre qualquer coisa, que existia uma barreira, qualquer coisa que eu queria explicar de uma outra forma, mas não estou a conseguir. Conversaríamos sempre, mas ela faz-nos estar aqui a falar à vontade; está a interpretar para vós e ele [o maestro] está a ouvir e assim ganha-se tempo.”António Cabral, coro "Mãos que Cantam"
Professor de Educação Musical

O professor de Educação Musical de alunos surdos deve conhecer as diversas formas de os surdos apreenderem música e estar desperto para a diferença dos seus alunos surdos. Terá de adequar estratégias e métodos, de forma a serem interiorizados pelos seus alunos surdos, nomeadamente de forma visual. Neste sentido, os contributos e a parceria de um professor surdo de Língua Gestual Portuguesa serão essenciais.

Ao mesmo tempo, o professor de Educação Musical deve aprender Língua Gestual Portuguesa, para que interaja diretamente com os seus alunos surdos e para que possa, com maior facilidade, encontrar as técnicas mais adequadas ao ensino da música.

Por outro lado, o professor de Educação Musical deverá trabalhar no sentido de cativar os alunos ouvintes para este processo e adaptar os conceitos mais abstratos e sensoriais das formas e estruturas musicais para algo mais concreto e fácil de entender.


5. EM CONCERTO


Durante os anos de 2014 e 2015, realizaram-se vários concertos de apresentação do projeto “Mãos que Cantam” em diferentes instituições e localidades.

A lista que de seguida se apresenta, pretende dar particular destaque a alguns dos mais significativos espectáculos que se foram realizando nestes últimos dois anos.

EM 2014:

Songs 4 all – concerto para vozes e mãos
4 de janeiro
Panteão Nacional, Lisboa
Atuação em concerto juntamente com o músico Manuel Rebelo, coro Emotion Voices e coro CMVM.
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IV Aniversário do coro Magis
24 de maio
Colégio de São João de Brito, Lisboa
Concerto integrado no IV Aniversário do Coro Magis
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Encontro Anual de Alumni
30 de maio
Universidade Católica Portuguesa, Lisboa
Concerto integrado no Encontro de Antigos Alunos da Faculdade de Direito
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Prémio Acesso Cultura
18 de junho
Museu da Eletricidade, Lisboa
Entrega do Prémio Acesso Cultura
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Festa de Aniversário da AFAS
26 de julho
AFAS – Associação de Famílias e Amigos dos Surdos, Lisboa
Concerto integrado na Festa de Aniversário da AFAS
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Festa aniversário da APS
24 de setembro
APS – Associação. Portuguesa de Surdos, Lisboa
Concerto comemorativo do aniversário da APS

Festival de Coros de Lagos
1 e 2 de novembro
Lagos
Concerto integrado no Festival de Coros de Lagos e participação na peça final
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Aniversário do Instituto Nacional para a Reabilitação
3 de dezembro
Lisboa
Concerto comemorativo do aniversário do Instituto Nacional para a Reabilitação

Para uma sociedade mais inclusiva
5 de dezembro
ISCTE-IUL, Lisboa
Concerto de encerramento da semana dedicada ao tema

VoArte – 6ª festival Internacional de video, performance e tecnologias “In Shadow”
6 de dezembro
Teatro Municipal de S. Luís, Lisboa
Concerto
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EM 2015:

Concerto com as crianças surdas do 5ª, 6º e 7º ano.
11 de junho
Escola Quinta de Marrocos, Lisboa
Gravação Gulbenkian (Christine)
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18º Aniversário da AFAS
25 de julho
Universidade Lusófona, Lisboa
18º Aniversário da AFAS
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Congresso da Pró-Inclusão
26 de julho
Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa
Congresso da Pró-Inclusão
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40º Aniversário da CRINABEL
29 de outubro
ISCTE-IUL, Lisboa
40º Aniversário da CRINABEL
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Concerto com Coro dos Movimentos Católicos
19 de dezembro
Igreja da Nossa Senhora da Encarnação, Lisboa
Concerto com Coro dos Movimentos Católicos
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6. PARTILHA DE BOAS PRÁTICAS


O projeto “Mãos que Cantam” apresenta uma metodologia de integração social através da prática artística. Todavia, graças à importância cada vez maior que este tipo de metodologias tem adquirido enquanto ferramentas de inclusão social, o número de projetos nesta área tem-se multiplicado. Em seguida, são apresentadas algumas experiências cujas metodologias inovadoras e inclusivas são, por esse motivo, consideradas boas práticas de inclusão no campo artístico.

Festival de Música de Setúbal e Ensemble Juvenil 

O Festival de Música de Setúbal (FMS) foi criado em 2010/11 como uma parceria entre a Câmara Municipal de Setúbal e a fundação britânica Helen Hamlyn Trust, uma instituição que apoia a educação, a cultura e a inclusão social com um foco especialmente direcionado para a comunidade jovem.

Em 2012, foi criada uma associação cultural para representar legalmente o Festival, independente da Câmara Municipal e do Helen Hamlyn Trust, nela, estão representadas a comunidade e as parcerias artísticas e sociais locais. Mais recentemente, no início de 2015, tomaram posse os novos Órgãos Sociais atualmente em funções.

Tal como acontece com grande parte da atividade do Festival, esta associação é composta por voluntários, que desempenham as suas funções em coordenação com a pequena equipa profissional do Festival.
O ponto de partida do FMS foi um processo de colaboração com diversas instituições/ associações públicas e privadas da cidade, para a realização de projetos educativos e de participação, dirigidos sobretudo às crianças e jovens da região: “oficinas” de técnicas de percussão e de escrita criativa de canções decorrem durante os vários meses que antecedem cada edição do Festival, que se realiza geralmente no final de maio.

As apresentações públicas / espetáculos decorreram atualmente durante quatro dias, envolvendo concertos de artistas visitantes de classe mundial, tanto nacionais como estrangeiros, a par da apresentação de diversos grupos locais de crianças e jovens. A atividade inicial das oficinas, lideradas por dois formadores/ músicos portugueses, foi mantida em cada ano e hoje atrai mais de 1.500 jovens participantes, provenientes de toda a comunidade.
Recentemente, em 2014, foi criado o Ensemble Juvenil de Setúbal adotando as mesmas premissas do Festival e reunindo jovens de diversas formações e vivências, tais como músicos de formação clássica, percussionistas étnicos e jovens com necessidades especiais mas com um enorme talento musical. Também o repertório apresentado por este grupo é diversificado, passando pela música erudita, o jazz, a world music, etc.

Além da Câmara Municipal e do Helen Hamlyn Trust, também a Fundação Calouste Gulbenkian, através do programa PARTIS – Práticas Artísticas para Inclusão Social, se tornou parceira destes dois projetos.

O Festival em si tem vindo a crescer, começou por acontecer durante três dias, mas desde há dois anos que passou a ter a duração de quatro. A unidade artística do Festival tem sido alcançada através da escolha, em cada ano, de um tema específico para as oficinas e para os programas dos concertos: em 2011 o tema foi – Natureza e Ambiente; em 2012 – o viajante e os visitantes; em 2013 – Comunicações; em 2014 – o mar, e em 2015 – o clima. Cada um destes temas relaciona-se fácil e naturalmente com Setúbal e com a experiência de quem vive, trabalha ou visita o concelho.

Os objetivos fundamentais do Festival de Música de Setúbal mantiveram-se inalterados desde a sua criação, em 2010 /11 e estão intimamente ligados aos planos da cidade para a sua reabilitação social, económica e arquitetónica, planos esses que veem a cultura, e especialmente a música, como um componente chave para o sucesso. Nessa perspetiva, uma abordagem de desenvolvimento e de longo prazo foi desde sempre essencial: esta iniciativa é mais do que um “festival”. Ao começar no seio da comunidade local, respondendo às suas necessidades e, especialmente, às das crianças e jovens, temos sido capazes de lançar as bases adequadas sobre as quais podemos construir.

Para mais informação sobre o Festival, consultar:
http://www.festivalmusicadesetubal.com.pt/.

Página do Festival

Facebook do Festival

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Projeto “Segredo Secreto” – Companhia Instável

O “Segredo Secreto”, produzido pela Companhia Instável, é inspirado num projeto apresentado em 1998 e 1999. Foi criado a partir da interação entre surdos e bailarinos, tendo por base a relação existente entre diversas linguagens, com especial destaque para a língua gestual.

O resultado é um espetáculo de dança contemporânea, que une em palco bailarinos e surdos, com o objetivo de criar um trabalho sobre comunicação, tendo por base o movimento – dançado ou a língua gestual.

A coreógrafa Ana Figueira, criadora da peça e diretora da Companhia, explica que as pessoas não ouvintes têm um movimento intenso, de grande autenticidade, constituindo uma grande aprendizagem para os outros intérpretes.

A Companhia Instável é um projeto que tem como principal objetivo criar oportunidades profissionais a intérpretes de Dança Contemporânea. Com um projeto anual desde 1998, pretende associar o desequilíbrio e a incerteza inerentes à arte contemporânea, à necessidade de estabilidade e solidez necessárias a uma companhia.

Para mais informação sobre a Companhia, consultar:
http://www.companhiainstavel.pt/

Página do Projeto

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“O meu corpo tem qualquer coisa diferente do teu.
Acho que é exatamente a mesma diferença que tu tens de mim. Então somos iguais.
Ouvi falar de coisas que não podes escutar senão com o corpo inteiro.
Ouvi dizer que tudo é diferente mas isso podes ver com os teus olhos.
E, mesmo que não visses, poderia mostrar-te, com as mãos ou os pés, um fio de cabelo bastaria.
Se nada é igual, para quê perder tempo a dizê-lo?
Se tudo é diferente, por que não ganhar espaços diferentes?
Sei o que me ensinaram sobre barreiras e muros.
Posso agora aprender contigo o que fazer com isso.
Tu aprendeste a desenhar limites e eu posso ensinar-te a redesenhar: com o movimento, que é o meio de transporte do desejo nas viagens para qualquer destino.
Quem aprende com quem?
A-prendo-te sem ter de te ensinar o que não sei, antes de cada passo.
A-prendes-me com o que só tu és, depois de cada gesto.
Eu danço sobre o fim das coisas para que elas recomecem.
Tu danças sobre o seu princípio, para que continuem.
Eu danço em jeito de pergunta sussurrada e tu respondes como quem não percebeu, senão a dançar.
Eu não quero ser fora de mim senão o que és por dentro.
Tu não queres sair de ti sem ter onde regressar a ti próprio comigo.
Não me olhes dessa forma esquisita, somos milhares assim, garanto-te.
Vamos mexer o corpo do jogo e remexer nas regras do corpo.
A sós, entre nós, com eles aqui.
Eu danço em jeito de pergunta sussurrada e tu respondes como quem não percebeu, senão a dançar.”Eugénio Roda
“Singing without sound (“Cantar sem som”)

Mandy Harvey é uma cantora e compositora norte-americana que, enquanto estudava Educação Musical na Universidade Estatal do Colorado, perdeu a audição. Todavia, e apesar do seu sonho em tornar-se professora de música ter morrido, a música continua viva dentro de si. Não obstante a sua perda auditiva ser profunda (110 decibéis em cada ouvido), a sua noção de tempo, afinação e paixão são perfeitas. Com o apoio dos amigos e família, Mandy continua a encontrar a alegria na música: canta, sentindo as vibrações no chão e usando a memória muscular das suas cordas vocais. Atualmente, encontra-se a trabalhar no seu quarto álbum.

Para mais informação, consultar:
https://www.facebook.com/mandyharveymusic.

Mandy Harvey Music website

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“Nunca se pode perder a esperança. Nela encontramos força. E é nosso dever mostrá-la e dá-la a outros. A esperança “mantém a vida em movimento”, ao puxar-nos para fora da escuridão. Continue a ter esperança e a realizar os seus sonhos.”Mandy Harvey

7. CONCLUSÃO E AGRADECIMENTOS


O projeto “Mãos que Cantam” nasceu do sonho conjunto do maestro Sérgio Peixoto e da Universidade Católica Portuguesa, mas, sobretudo, da paixão, da dedicação (e perseverança) de cada elemento que compõe este coro.

Todavia, ao longo dos anos, este projeto contou com o apoio de diversas instituições que o ajudaram a crescer, a conhecer e a ser conhecido. A equipa agradece:

À Fundação Calouste Gulbenkian, Programa de Desenvolvimento Humano, Programa Partis na pessoa extraordinária do Dr. Hugo Seabra (link);

A toda a equipa da Logframe, que prestou uma orientação essencial em todos os momentos do projeto (link);

A todos os parceiros institucionais:
À Universidade Católica Portuguesa, pela iniciativa em propor e acreditar num coro de surdos, pelo apoio prestado pelo Professor Doutor Alexandre Castro Caldas e pela Professora Doutora Ana Mineiro (ambos do ICS- Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa), pela colaboração do Coro da Universidade Católica nas pessoas de Rita Ferreira e Joana Almeida, e ainda ao Professor Doutor Manuel Braga da Cruz, à Professora Doutora Maria Teresa Leal de Faria, e à Reitora Professora Doutora Maria da Glória Garcia e ao Vice-Reitor Padre Doutor Tolentino de Mendonça;
À Mapa das Ideias, pelo incansável apoio na área de design, web design, edição de texto e tradução;
À Fundação D. Manuel II, pelo esforço de divulgação.

No seu percurso, o projeto teve a honra de ganhar novos parceiros:
A Associação de Famílias e Amigos dos Surdos – AFAS que, gentilmente, cedeu as instalações da sua sede para ensaios, filmagens e reuniões;
A Reserva na Fábrica – Associação para a Criatividade, Mediação Cultural e Empreendedorismo, que, gentilmente, cedeu um novo espaço de ensaio, filmagens e concertos (link);
A Associação Portuguesa de Surdos (APS), que gentilmente, cedeu um espaço para a realização de ensaios;
A Escola Quinta de Marrocos, pela sua colaboração e por proporcionar um laboratório vivo de experiências para o desenvolvimento deste e-book.

Um especial agradecimento à associação promotora do projeto, a Histórias para Pensar, por todo o esforço criativo e logístico que tornou possíveis tantos objetivos.

Uma menção e agradecimento a todos os colegas do primeiro grupo do Programa Partis, pelas reflexões, partilhas, experiências e carinhos trocados ao longo destes dois anos (link).

Gostaríamos ainda de agradecer a colaboração e apoio da intérprete que iniciou este projecto juntamente com o Maestro Sérgio Peixoto, Joana Pereira, bem como às demais intérpretes que nos têm acompanhado: Cristina Gil, Ana Silva e Sofia Figueiredo.

Finalmente, um agradecimento especial ao diretor artístico,
Sérgio Peixoto, por ter acreditado neste sonho, desde o primeiro dia; a todas as intérpretes que colaboraram no projeto – Joana Pereira, Ana Silva e Cristina Gil – em especial à Sofia Figueiredo, sempre disponível para tantas aventuras; e, naturalmente, aos elementos do coro “Mãos que Cantam” – António Cabral, Débora Carmo, Cláudia Veiga, Patrícia Carmo, Cláudia Dias, Hugo Parreira, Helena Garrinhas – pois são eles os heróis desta história.

FICHA TÉCNICA


Coordenação geral
Ana Fernambuco | Histórias para Pensar – Associação

Conteúdos

Coordenação
Sérgio Peixoto | Coro “Mãos que Cantam”

António Cabral | Coro “Mãos que Cantam”
Débora Carmo | Coro “Mãos que Cantam”
Cláudia Veiga | Coro “Mãos que Cantam”
Sofia Figueiredo | Coro “Mãos que Cantam”
Patrícia Carmo | Coro “Mãos que Cantam”
Maria João Nunes | Mapa das Ideias

Edição
Ivo Oosterbeek | Mapa das Ideias
Maria João Nunes | Mapa das Ideias

Tradução
Ivo Oosterbeek | Mapa das Ideias
Maria João Nunes | Mapa das Ideias

Vídeos
Nuno Assunção

Créditos fotográficos
Artur Lourenço
Bruno Seabra
José Sena Goulão
Histórias para Pensar – Associação

Design
Ivo Oosterbeek | Mapa das Ideias

Licença Creative Commons
Este trabalho de http://maosquecantam.org/, está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Este projeto foi financiado pela 1ª edição do Programa Partis, Fundação Calouste Gulbenkian.

Os conteúdos aqui apresentados são da total responsabilidade da Histórias para Pensar – Associação e do coro “Mãos que Cantam”.

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